Monday, June 15, 2009

Pontos Finais

Encontro-me o tempo todo envolto em dúvidas. Perguntas que tornam-se infinitos ecoando em minha mente e amplificam-se em inseguranças e incertezas. Não paro por um momento pois corro o risco de encontrar-me atolado em questionamentos e perdido na busca por suas respostas.

Encaro este cenário todos os dias quando deito minha cabeça no travesseiro. Ele transborda memórias e paixões, embalando meus sonhos em uma embriaguez, iludindo-me com esperanças vãs e sentimentos vazios.

Acordo toda manhã com o som ensurdecedor de minha desilusão. E meu interior dilacerado por dores que acabam com as poucas energias que não foram consumidas durante a noite.

Tantos pesos sobre meus ombros tentam impedir que me levante e encare as mentiras que preenchem meus dias. Mas enfrento! Visto minhas máscaras e construo meu próprio simulacro, o refúgio para momentos em que a realidade insiste em bater a minha porta.

Euforia, Respiração e Palpitação.

O dia se arrasta enquanto procuro formas de acabar com esta rotina de sentimentos que ferozmente consomem meus ânimos e sentidos. Tento fugir do caos que tornam-se meus pensamentos, procurando as melhores formas de encerrar com tantos anseios. Inconsolável, por saber que não terei um refúgio efetivo em meu descanso, um berço de inquietações que me perfuram e reinicia toda esta complexa equação de inexistência.

(04/01/2008)

Wednesday, January 21, 2009

Sócio-apatia

A lucidez soa caótica,
enganadora, uma miragem.
Meu oásis árido em uma floresta tropical.

Soldados marcham em direção ao infinito,
portando armas pela paz.
Arrancando lágrimas de pobres palhaços,
para fazer a platéia rir.

O refúgio de nós mesmos,
um esconde-esconde bipolar
cria um convívio sociopata
de individualismos autistas.
Só... entre outros.

O amável ódio entre as personagens
que todo dia inventamos
e cruelmente as recriamos,
em busca de um sentido para o vazio.


(14/12/2007)

Wednesday, December 31, 2008

Melancolia

Cheguei a mais um fim... apenas uma etapa simbólica, ao redor da qual controlamos e estabelecemos nossas vidas. Dentro deste ciclo, encontro-me só. (Minha escolha.) Calado. (Minha opção.) E vazio. (Minha prisão.) Refugiei-me como proteção, pois vivenciei meus sonhos e vontades. Não realizaram-se, não permaneceram. Decepcionei-me. E acabei com um gosto amargo em minha boca, depois que o sabor doce já havia esvaecido de mim.

Encontro-me, então, em um misto de desilusões e vazios, que são coroados por expectativas excessivas e responsabilidades bastardas. Quando penso me livrar de todas elas, surgem fardos e cobranças que fazem questão de impedir qualquer movimento meu fora da linha. Meu maior inimigo sou eu, que imponho a mim tantas barreiras e uma busca eterna pela perfeição e pela transcendência.

A desilusão e o desespero tornam-se companheiros recorrentes de minha história. E a dor resultante é somente mais uma, diante das que eu mesmo de exponho. Como forma de proteção, distancio-me de meus sonhos, entregando-me a mecanicismos que possuem a falsa desculpa de sobreviver.

Sou aturdido por cargas emocionais descomunais. Tenho dificuldade de assimilá-las e o que resta é uma vontade imanente de fuga. Euforia! Não consigo, então, dissociar-me de tal peso e colocar-me novamente no caminho correto, em busca de meus sonhos.

Sinto que o mundo a minha volta está em chamas. E eu, inocentemente, danço... lentamente.

(31/12/2008)

Tuesday, November 25, 2008

Vícios

O mundo gira em volta de minha cabeça
tamanho o frio que me abate
e tudo torna-se tão grande e inatingível a minha volta

Sinto-me distante de tudo
incluindo de meu próprio corpo.
Retiram-me todos os órgãos,
expondo um nada resultante.

Esta nudez simbólica
torna-me mais ligado
à abstinência que toma conta de meus sentidos
e traz-me maior necessidade.

Encontro-me em uma dúvida
- puramente conceitual -
sobre o que tanto me falta.

Em horas estou certo que é o sentimento,
para logo depois dizer que é a reciprocidade.

(17/03/2008)

Saturday, April 26, 2008

Cama Vazia

Não tenho mais medo
de enfrentar esta cama vazia.
Já deixei de procurar
algo que possa ocupar o espaço
que você deixou ao meu lado.


Deito-me no centro,
cercado por meus sonhos,
com os olhos em minhas fontes eternas de inspiração.


Criei meu recanto,
o conforto para que eu possa existir.
Outra escolha acertada
para criar o meu melhor refúgio.


(10/02/2008)

Sunday, January 13, 2008

Permanente Dormência

Quero encontrar-me em um estado permanente de dormência.

Anestesiado de um mundo

que com luzes brilhantes

nos condiciona à solidão.


A cidade absorve-me,

transformando sentimentos em neblina

e refletindo no horizonte a desilusão

da multidão gélida que nos cerca.


Os prédios tornam-se infinitos,

ressaltando a insignificância que representamos

em meio a tanto concreto.


Aprisionam-se os sentimentos,

entre luzes e sombras.

E aos poucos morrem,

até tornarem-se somente corpos

em meio a escombros de uma vida.


(08/01/2008)

Monday, November 05, 2007

Veneno

Este vazio preenche-me
Faz de mim completo e só
Dentro da impossibilidade de viver.
Somente um momento,
Perante toda uma eternidade.

Sei que conseguirei um dia relevar todo este pesar.
Estas dores que latejam por todo meu corpo,
Resultado de tamanho veneno...
Com o qual me embriaguei por tanto tempo.

Não quero recorrer a antídotos,
Podem se tornar novos males,
Que irão me consumir em um círculo vicioso.

Minha salvação será meu maior medo...
Assim como pensei no início...

(05/11/2007)

Thursday, September 13, 2007

Narrativas

Coloco tudo para fora neste pequeno espaço...
Sobrevivendo do fio de esperança que o atravessa
e, sem perdão, o arremessa,
para longe...

Crio a dor física, para abster-me do sofrimento:
- Entenda que são apenas máscaras!
O sangue jorra pelas telas,
Torna-se entretenimento
Para as massas...

Sem sentido e sem lógica,
persisto no incomum.
E conto minha história!
Fugindo de qualquer narrativa e muito menos realidade.
Crio um mundo fantasioso,
Belo, distante de toda sujeira. Como um desafio à minha sanidade!

(12/09/2007)

Monday, September 10, 2007

Muletas

Ando por estas ruas, envolto por tamanha neblina, que encobre minha visão. Sinto-me domado por seu cheiro e encantado pelo efeito das luzes que surgem pelo caminho. Brilhos difusos que levam minha mente para mundos distantes, fugindo de preocupações que surgem neste momento.

Tento ver o mais distante possível, mas não consigo. Sinto como um sinal que a neblina me trouxe. Deixo para trás planos e decisões. Foco-me no momento pelo qual estou passando e como enfrentá-lo. Excessos me têm servido de muletas, suportando-me através de tanta dor e indecisão. Arrisco cair a cada momento, sempre que percebo a fragilidade de meu suporte. Me engano dizendo que tudo está bem. Mas sei muito bem a realidade. Tomo placebos conscientemente, achando que conseguirei mudar algo dessa forma. “Pequenas mentiras para o coração doer menos”.

Quero fugir! Tornar-me somente mais um rosto em uma multidão perdida. Tudo muito simples. Arrumar minhas malas, enchê-las com meus sonhos perdidos, meus medos e minhas desilusões. Sair a procura de algo em que eu possa acreditar, ao invés de aceitar essas mentiras de um mundo podre e sádico.

Talvez lutar contra isso seja o primeiro passo para combater minhas inseguranças, que o tempo todo aparecem para me assombrar. Uma opção à covarde fuga! Ainda me apego demais para poder deixar tudo para trás. Ainda quero lutar, até o último sopro de vida passar por meus pulmões e permitir que eu saia desse teste de fogo.

Resolvo encarar esses demônios que me atacam. Em algum momento voltarei a assumir o pleno controle de minha vida. Não será agora! Mas o tempo de todas essas batalhas será suficiente para dissipar qualquer neblina.

(09 e 10/09/2007)

Friday, August 31, 2007

Impressões de Incertezas!

(ou O Incerto Definitivo)

Ouvi o som de seu abandono
ensurdecedor em sua inexistência...
perturbador...
Marcas de um punhal em um colchão vazio,
transbordando lembranças e noites de paixão.

A luz que explodia de minhas feridas
guiavam as almas perdidas à procura de uma companhia
que sussurravam calmamente em meus ouvidos:
"Nada mais importa!"

Juntei-me a um grupo de mímicos,
jurei silêncio eterno e incondicional...
Quebrei minha promessa traindo meus sentimentos.
Desafiei-os...

E, assim, conquistei a minha independência!
Entrei em contato comigo mesmo e descobri:
"Não me abandonastes! Mas sim, a si mesma!"
Mas saiba que em nenhum momento a deixei só!


(03/08/2007)